Sobre o LPD

O Laboratório de Pesquisas em Dispositivos (LPD) tem como objetivo o desenvolvimento de tecnologias inovadoras em fotônica, optoeletrônica e nanotecnologia. Com pesquisas de ponta e colaboração interdisciplinar, exploramos os avanços da luz e seus impactos em novas aplicações científicas e tecnológicas.

Fundado no ano de 1972 por José Ripper Filho, o LPD nasceu com o propósito de impulsionar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras em fotônica, semicondutores e sensores avançados. Tendo como sede o Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Universidade Estadual de Campinas, o Laboratório consolidou-se, desde o seu surgimento, como um centro de referência nacional e conquistou reconhecimento no cenário internacional por suas contribuições científicas e tecnológicas. 

Com uma infraestrutura de ponta e uma equipe multidisciplinar, o LPD segue atuando na fronteira do conhecimento, estabelecendo parcerias estratégicas com instituições acadêmicas e industriais. Atualmente sob coordenação de Newton C. Frateschi, sua missão é transformar pesquisa em soluções aplicáveis, promovendo avanços que impactam setores como telecomunicações, saúde e energia.

Nossa história

O Laboratório de Pesquisas em Dispositivos (LPD), do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tem desempenhado um papel fundamental na pesquisa e desenvolvimento de dispositivos semicondutores no Brasil. Desde sua fundação, tem sido referência na formação de recursos humanos e na geração de conhecimento científico e tecnológico, contribuindo significativamente para a indústria e a academia, especialmente no campo das comunicações ópticas e da optoeletrônica.

A criação do LPD está diretamente ligada ao contexto político e econômico do Brasil nos anos 1970. Durante a Ditadura Militar (1964-1985), o governo brasileiro adotou uma política de fortalecimento do setor de telecomunicações como parte do projeto de integração nacional. Esse período foi marcado por grandes investimentos em infraestrutura, incluindo a criação da Embratel (1965) e do Sistema Telebrás (1972), com o objetivo de expandir e modernizar as comunicações no país. 

Foi nesse cenário que, em 1971, surgiu o Grupo de Pesquisa em Dispositivos Semicondutores, liderado pelos professores José Ellis Ripper Filho e Navin B. Patel. Ripper, recém-chegado dos Laboratórios Bell nos EUA, trouxe consigo a visão de desenvolver tecnologias fundamentais para a comunicação por fibra óptica no Brasil. O grupo inicial contou ainda com Philippe Brosson, Marcio D’Oine Campos e Carlos Alberto Ribeiro, além de estudantes de pós-graduação.

O LPD foi oficialmente fundado em 1972, com o objetivo de pesquisar lasers semicondutores para aplicações em telecomunicações ópticas. O apoio do governo e de órgãos como a Telebrás foi essencial para a consolidação do laboratório. A partir de 1973, a Telebrás passou a financiar projetos estratégicos, visando a redução da dependência de tecnologia estrangeira e o desenvolvimento de um sistema nacional de comunicação. 

Nesse contexto, o LPD foi peça-chave para a pesquisa e inovação em dispositivos optoeletrônicos no Brasil. Com o apoio da Telebrás e de diversas agências de fomento, como FINEP, CNPq, FAPESP, CAPES, entre outras, o LPD consolidou-se como um dos principais centros de pesquisa em dispositivos semicondutores no Brasil. Entre seus marcos históricos, destacam-se a colaboração com a Telebrás, que resultou na transferência de tecnologia para a indústria nacional; a criação do Centro de Componentes Semicondutores (CCS) na Unicamp, em 1981, junto com o LED (Laboratório de Eletrônica e Dispositivos) e o MGE (Laboratório de Materiais de Grau Eletrônico); a organização da IX Conferência Internacional sobre Lasers Semicondutores, em 1984, no Rio de Janeiro, que demonstrou o reconhecimento internacional do LPD; a celebração, em 1982, de um convênio entre a Unicamp e o CNPq, tornando o LPD um laboratório associado ao CNPq; e o desenvolvimento de processos pioneiros para a fabricação de lasers de heteroestrutura dupla e detectores de segunda geração.

Atualmente, o LPD conta com 17 laboratórios de pesquisa, onde atuam 21 pesquisadores, dos quais 13 possuem doutorado, além de 17 técnicos e funcionários administrativos. O laboratório possui uma ampla infraestrutura de apoio, incluindo biblioteca especializada, setor de desenho técnico, oficina mecânica, almoxarifado e setor de contabilidade para a gestão dos projetos. Seus equipamentos permitem a fabricação de dispositivos semicondutores do grupo III-V, em particular Arseneto de Gálio (GaAs) e Fosfeto de Índio (InP), além de suas ligas. O conhecimento acumulado no LPD possibilitou a criação de grupos de pesquisa em outras instituições, como na Universidade Federal de São Carlos e no CPqD da Telebrás.

O LPD se especializa na pesquisa dos processos físicos envolvidos na produção e operação de dispositivos semicondutores. Entre os avanços tecnológicos desenvolvidos, destacam-se lasers de primeira e segunda geração operando em diferentes comprimentos de onda, detectores de radiação e dispositivos optoeletrônicos, e tecnologias para comunicações ópticas, com impacto direto na indústria de telecomunicações brasileira. Além do desenvolvimento de dispositivos, o LPD contribuiu para a evolução da física do estado sólido e da microeletrônica no Brasil. Sua produção científica e tecnológica é reconhecida internacionalmente.

Desde sua fundação, o LPD esteve diretamente envolvido no desenvolvimento tecnológico nacional, com impacto significativo na indústria de telecomunicações. Sua parceria com a Telebrás e o CPqD resultou na criação de um parque industrial de componentes optoeletrônicos no Brasil. Em 1983, por exemplo, a empresa ABC-Xtal começou a fabricar fibras ópticas com tecnologia transferida pelo LPD. Em 1989, José Ellis Ripper fundou, ao lado de Francisco Prince, a empresa AsGa, voltada para a fabricação de componentes optoeletrônicos. Entretanto, a partir da década de 1990, com a privatização da Telebrás em 1998, o CPqD abandonou as pesquisas em fibras ópticas, lasers e microeletrônica, impactando o modelo de desenvolvimento de telecomunicações no país.

O LPD tem um papel fundamental na formação de recursos humanos em todos os níveis acadêmicos. Ao longo das décadas, formou cientistas e engenheiros que hoje atuam tanto na academia quanto na indústria, contribuindo para o avanço da microeletrônica e da optoeletrônica no Brasil e no exterior. Além da Unicamp, ex-integrantes do LPD ajudaram a criar novos grupos de pesquisa, como na Universidade Federal de São Carlos e em empresas do setor de tecnologia.

Atualmente, o LPD continua a desenvolver pesquisas em optoeletrônica e dispositivos fotônicos, mantendo sua articulação entre ciência básica, aplicada e industrial. Entre os desafios enfrentados estão a adaptação às novas demandas da indústria de semicondutores e a busca por novas fontes de financiamento para a pesquisa de ponta. O futuro do LPD está ligado à inovação contínua, à formação de novas gerações de cientistas e à manutenção de sua posição como referência em dispositivos semicondutores. A evolução das telecomunicações e da eletrônica quântica abre novas possibilidades para o laboratório, que segue na vanguarda da pesquisa científica no Brasil.

Com mais de 50 anos de história, o LPD consolidou-se como um dos principais centros de pesquisa em dispositivos semicondutores do Brasil. Seu impacto na ciência e na indústria é inegável, e seu compromisso com a inovação garante sua relevância para o futuro da tecnologia no país. Com um legado de excelência, o LPD continua a formar profissionais e desenvolver pesquisas que impulsionam o avanço da ciência e da tecnologia no Brasil e no mundo.